A disputa eleitoral entre os grupos ligados a Lula e ao bolsonarismo voltou a movimentar as redes sociais, desta vez por causa de uma planilha colaborativa e anônima que reúne o nome de centenas de personalidades públicas e tenta classificá-las de acordo com seus supostos posicionamentos políticos.
O documento, que ganhou repercussão entre internautas, reúne artistas, cantores, influenciadores, atletas e ex-participantes de reality shows. A lista passou a ser compartilhada como uma espécie de “mapa político” das celebridades brasileiras.
Entre os nomes associados ao campo político de Lula aparecem, segundo os registros que circulam nas redes, personalidades como Pabllo Vittar, Luísa Sonza, Juliette, Jão, Matuê, Xamã e Manu Gavassi.
Já no grupo relacionado ao bolsonarismo são citados nomes como Jojo Todynho, Ana Castela, Gusttavo Lima e Neymar Jr.
Lista reúne diferentes tipos de registros
A relação também menciona artistas que já manifestaram publicamente posicionamentos políticos ao longo dos anos. Nomes como Ivete Sangalo, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Chico Buarque, por exemplo, possuem histórico de manifestações públicas associadas ao campo político de esquerda e ao apoio a Lula.
No campo oposto, artistas como Amado Batista já declararam publicamente apoio a Jair Bolsonaro em diferentes momentos. Leonardo e Zezé Di Camargo também protagonizaram manifestações que foram interpretadas por parte do público como alinhadas ao bolsonarismo.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre uma manifestação pública e a escolha feita pelo eleitor dentro da cabine de votação.
Planilha não comprova voto
Apesar da repercussão, o conteúdo da planilha precisa ser interpretado com cautela. Por se tratar de um documento colaborativo e sem autoria centralizada, os critérios utilizados para classificar algumas personalidades não são necessariamente uniformes.
Enquanto determinadas informações podem ter como base declarações públicas, entrevistas ou publicações feitas pelos próprios famosos, outros registros podem resultar de interpretações de internautas.
Curtidas em publicações, pessoas seguidas nas redes sociais, fotografias, participações em eventos ou até mesmo comentários antigos podem ter sido utilizados como indícios para determinadas classificações.
Por isso, estar relacionado a determinado grupo na planilha não significa que a pessoa tenha declarado voto naquele candidato.
Apoio político não é sinônimo de voto
Outro ponto importante é que o posicionamento público de uma celebridade pode mudar ao longo do tempo. Além disso, uma pessoa pode apoiar determinadas propostas de um candidato sem necessariamente votar nele.
O voto, por sua vez, é secreto. Dessa forma, somente uma declaração explícita do próprio eleitor pode indicar publicamente sua preferência — e, ainda assim, isso não constitui prova de que seu voto efetivamente tenha sido aquele na urna.
A planilha, portanto, deve ser vista como um levantamento informal que reúne informações e interpretações encontradas nas redes sociais, e não como uma relação oficial ou comprovada dos votos das celebridades.
Famosos que preferem o silêncio também entram na discussão
A repercussão do documento acontece em um momento em que artistas e influenciadores enfrentam forte pressão para revelar suas posições políticas.
Nas redes sociais, personalidades que fazem declarações públicas costumam ser imediatamente associadas a um dos lados da disputa. Já aqueles que optam por não se manifestar também podem ser cobrados por seguidores e internautas.
Esse cenário transformou parte do debate eleitoral em uma espécie de “tribunal digital” das celebridades: declarações antigas são recuperadas, curtidas são interpretadas como posicionamentos e até o silêncio pode virar motivo de especulação.
No fim, porém, a existência de uma planilha viral não muda uma regra fundamental das eleições: não é possível saber com certeza em quem uma pessoa votou apenas com base em rumores, curtidas, seguidores ou interpretações feitas nas redes sociais.
Assim, qualquer lista desse tipo deve ser encarada com cautela, principalmente quando apresenta como fato aquilo que, em muitos casos, é apenas uma suposição de internautas.












































