Julia Rimoli Bossoni, de 28 anos, ficou com graves sequelas neurológicas após andar na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Segundo a investigação, Julia sofreu um traumatismo craniano durante o passeio, precisou passar por uma cirurgia de emergência e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo.
Jovem foi encontrada desacordada
Julia, que é do Paraná, estava no parque com o marido, João Pedro Bossoni Dionisio, de 26 anos. De acordo com o depoimento dele à Polícia Civil, os dois fizeram pela segunda vez o percurso da Montezum.
Ainda segundo o relato, a atração apresentou fortes solavancos durante o trajeto. Quando o carrinho chegou à estação, João Pedro percebeu que a esposa estava desacordada e convulsionando.
Julia recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e, posteriormente, foi encaminhada de ambulância para a Santa Casa de Vinhedo.
Exames realizados na unidade identificaram um hematoma subdural na região frontal do cérebro. A jovem foi submetida a uma craniotomia de emergência para conter a hemorragia e controlar a pressão intracraniana.
Tratamento e sequelas
Julia permaneceu aproximadamente 60 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Vinhedo e passou por outros procedimentos médicos, incluindo a implantação de uma válvula para drenagem de líquor.
Depois, ela foi transferida para um hospital particular em Londrina, no Paraná. De acordo com laudos e depoimentos médicos anexados à investigação, foram descartadas hipóteses de malformação arteriovenosa congênita e de ocorrência espontânea de acidente vascular cerebral (AVC).
Os documentos citados na investigação relacionam o quadro a um trauma sofrido durante o passeio na montanha-russa.
Segundo o inquérito, Julia ficou acamada e apresenta comprometimento neurológico grave, com perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo e limitações na fala.

Investigação apura circunstâncias do acidente
O Ministério Público solicitou novas diligências para esclarecer o que aconteceu durante o passeio. Entre as medidas estão uma perícia técnica no carrinho e na estrutura da Montezum, a elaboração de um laudo indireto de corpo de delito e a obtenção dos prontuários médicos completos dos hospitais que atenderam a jovem.
O MPSP também solicitou informações sobre o sistema de fotografia comercial da atração. A defesa da família pediu ainda vistorias presenciais nos equipamentos responsáveis pela captação das imagens.
O caso foi inicialmente registrado no 1º Distrito Policial de Campinas e posteriormente encaminhado à Delegacia de Polícia de Vinhedo.

O que diz o Hopi Hari
Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional de segurança emitida pelo grupo alemão TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque também declarou que a atração segue as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Segundo a administração, são realizadas diariamente manutenções preventivas mecânicas e elétricas antes da abertura do parque, com verificações dos trilhos, travas de segurança, cintos e sistemas de frenagem.
O parque afirmou ainda que existem sinalizações visuais e avisos sonoros sobre as restrições médicas para utilização da atração.
A administração também declarou que pareceres do Ministério Público apontaram a regularidade do funcionamento da montanha-russa sob a perspectiva da segurança coletiva, sem identificação de defeitos no projeto ou de risco coletivo.
O Hopi Hari informou que manteve contato com a família de Julia para prestar suporte e que disponibilizou o seguro para o tratamento médico.
Defesa da família contesta versão sobre seguro
Em nota, a defesa da família, representada pela advogada Luana Bossoni, afirmou que não recebeu qualquer seguro por parte do parque para custear o tratamento ou reparar os danos sofridos por Julia.
A advogada também declarou que não recebeu indenização secundária relacionada ao caso. Sobre as certificações e as manutenções periódicas da atração, a defesa afirmou que, apesar das garantias apresentadas pelo parque sobre as medidas de prevenção mecânica, considera necessária uma investigação aprofundada sobre as circunstâncias do acidente.
As investigações continuam para esclarecer as causas do trauma e as responsabilidades relacionadas ao caso.











































