A faixa “Poetas no Topo: Democracia”, lançada pela Pineapple Storm Records, reúne nomes de destaque do rap nacional, como Don L, Xamã e Major RD, em uma produção que aborda questões políticas, sociais e religiosas do Brasil. Por meio de rimas e diferentes perspectivas, os artistas exploram temas ligados à realidade brasileira, utilizando o rap como forma de expressão, reflexão e crítica sobre os desafios e as contradições presentes na sociedade.
Letra Poetas no Topo: Democracia
Não sou profeta, nem tão pouco visionário
Mas o diário desse mundo ‘tá na cara
Um viajante na boléia do destino
Sou mais um fio da tesoura e da navalha
Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa, porque sou filho do dono
Driblando o inferno das Big Techs
Pixels por pixels, sem pix pros incels
Outa’ vez ‘cê vai ser bitch dos gringo’
E os milícia, é? Onde anda o Wilson Witzel?
Otário se perdeu em telas, é marionete delas
Sketch de uma comédia trágica
Odeiam pobres, amam a miséria
Sem ela como ficariam ricos?
É pão e circo, é bujão e dízimo
Gente que odeia o Brasil, os BRICS, preferem dicks aos Miltons
Vai pra lá mamar os bichos que nos invadiram
Descobri o que pensam de ti, Homer Simpson
Patriota somos nós, dignos
Rap é blitz, não é piquenique, passa os bons, os ruins ficam
Rouanet? Rua Neles, nesse beat que já diz no ritmo d’onde eu vim, pri-primo
Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa, porque sou filho do dono
Morava numa rua de baixada
Achava que a Dona Maria merecia um castelo
Na escala 7×0, trabalha Sábado
Queria salvar o mundo de bermuda e chinelo
Eu lembro quando abria a geladeira e via água
Eu lembro que olhava pro espelho, via música
Eu faço música como passe de mágica
Eu faço L, porque eu sou fruta de política pública
Te trouxe rap, mãe, foi pra você
Lavando o chão de madame
Querendo que pessoas que não vivem no seu mundo te amem
Deixando o seu suor e sangue
Aí, meus companheiros, não esqueçam da base
A gente que comanda essa porra, enxame
O filho da empregada faz som e imagem
Eu faço rima pa’ que você se sinta gigante
2026 se parece com ’64 quando a massa de manobra enaltece o ditador que ia dar golpe de estado, hã
Quem apanha não esquece
Eu não tenho partido, meu parceiro ‘tô fazendo o meu corre
‘Tô mostrando pra você como o futuro se escreve
XM, Democrata com sintoma de love
Deixa eu te mostrar como o meu mundo se segue
Qual artista que você mais escuta? Qual o filme que você mais assiste?
Quantos deles ‘tão aqui na luta? Como se define brasileiro livre?
Peço pra testar um exercício simples, imagina tu perder a liberdade no susto
E ver genocida tipo Mussolini e Hitler, hã
Esses caras tem que tipo de público?
Câncer no Brasil, como é que pode? (Não, não, não)
Sua região a gente construiu sem holofote
Muita luta, muita entrega
Toda eleição, mesma falação, o Nordeste carrega toda a nação
Que já deu bico de papagaio ‘tamo até com escoliose
Tanta violência não é normal, nunca pode ser visto como algo comum
Eles se mordem de raiva porque foi um gay e uma trans que acabou com a escala 6×1
Eu sou Nordeste, por dentro e por fora
Igual rapadura ensina, de chapéu de palha
Igual a Don L, acertei de prima, tipo o Chico
Imagina ser Nordestino só em época de Festa Junina
(Yeah, yeah) A minha estrela ainda vai brilhar no céu
Lindo e inteligente igual o Jones Manoel
Nos confundindo igual na Torre de Babel
Fazendo irmão matar irmão e virar réu
Nossas Terras Raras não pertencem a esses caras
Pra vender barato e comprar mais caras
Que caiam todas essas máscaras
O refino que é fundamental também
Nossa pátria não é quintal de ninguém
Não voto em miliciano
Não é a maravilha do país de Alice, mano, pra você achar que ‘tá tudo bem
Feri meu olho mas eles que estão sem visão
Me diz pra que gerar tanta divisão?
Será que o Flávio vai liberar o sigilo ou tem muito segredo escondido nesse arquivo?
O ex-sócio ameaça, a história da bronca
É a fantástica fábrica do Flávio Wonka
Tu acha que o rap não tem lado, meu mano?
É porque tu não tem lido
Me livro das armas, me armo de livros
Seu presidente tem amigo assassino
Acha o cumulo tu votar anulo, ‘cês ‘tão ouvindo o rap no mudo
Eu sou o 13 no segundo turno ou eu sou o Flávio no segundo túmulo
Eu canto o rap, eu tumultuo, sou poesia e literatura
Acabo com o mistério das ruas, eles com o Ministério da Cultura
Não confunda, eu não sou Lula, eu sou o SUS, sou Bolsa Família
Políticas públicas, eu sou PROUNI, sou minha casa, eu sou minha vida
O fim da escala 6×1, a democracia, a revolução
Eu sou o filho da empregada, estudando junto com o filho do patrão
Júlia Zanatta quer chicoteá-lo, ouvindo aplausos do Pavanatto
Nikolas Ferreira é um falso cristão, Flávio é a putinha do Daniel Vorcaro
Ana Clara nunca esqueceremos do policial que foi te matar
E que o Senador foi lá defender pra ele não ir a júri popular
Eu sei que a criança de cinco anos tinha que ter o direito só de brincar
Mas esse governo de milicianos acha que pode vim te executar
Filhos da revolta popular, tu não bota o pé, nó’ botamo’ a cara
Nó’ nem precisa cair o Pix pra eu fazer cair tua máscara
Pede pro Trump jogar um míssil aí bem na porta da sua casa
Vocês estão bêbado de detergente, são patriotas só de fachada
Eles querem tirar o pai da cadeia e vejo um monte de otário aplaudindo
O Oruam, ele quer a mesma coisa, mas só ele que é perseguido por isso
Campopiano é o caraio’, sou Dani Monteiro, MC né’ bandido
Sai um pouco de faking da internet e te aconselho a ler esse livro
Não sei se a arte imita a vida ou se a vida que imita a arte
Willy Wonka ou Flávio Bolsonaro, a Fantástica Fábrica de Chocolate
Vocês não morde, vocês só late atrás dessa telas de celulares
Inteligência bem limitada, são lambe bota de militares
E eu não posso votar em branco, enquanto morre o povo preto
Imagina mais quatro anos vendo eles massacrando os nossos
E não adianta ‘cês ir pa’ rua querer juntar um montão de moto
Porque seu pai sempre vai ser lembrado de ter juntado um montão de mortos
Jesus entrou no templo e quebrou tudo que Ele ‘tava vendo
Homens comercializando a fé de Deus lá dentro
Isso é o mermo’ que acontece em algumas igrejas hoje em dia
O que Jesus faria se ele fosse à Lagoinha?
Usando Deus como alegoria, eu nunca fecharia com vocês
O tempo é um ciclo, eu não vou ser omisso pra lutar, agora é a nossa vez
Pouco importa a vida em Marte (Marte, Marte)
Enquanto tem morte na Terra (Terra, Terra, Terra)
Enquanto for armas sua solução, Trump, nós viveremos em guerra
Faço história como Ana Elisa, faço história como Rafuagi
Faço história igual Erika Hilton, nenhum desses tá no caso Master
Às vezes acordo e parece que vivo em 1984
Na ditadura ou no livro mermo’ que os Ministério é tudo ao contrário
Tem uma prima cristã que votou na eleição passada, votou errado
Mas Jesus seria de que lado? Multiplicando o pão compartilhado
Tempos de luta e tempos de glória, mas sempre parece mai’ tempos de luta
Sei que esse é o lado certo da história, não vou deixar meu filho em ditadura
Sempre tenho mais tensão, quando tem uma tensão no ar, aí pronto
Aquela placa do aeroporto, depois desse ponto não tem retorno
Não vou ser rebanho pra senhor de engenho, fugir da rede do cardume ingênuo
Querem deixar seu império impune, ‘tão tramado então ninguém se pune
Sempre existiu esse genocídio, a diferença é que agora em vídeo
Democracia ela é suprema sempre, não importa se o político se acha ungido
Tempos que eu sei quem é o inimigo, me dá a caneta ou a baioneta
Quatro pegadas se eu andar na areia, é que o seu Deus sempre ‘tá comigo
Nascido e criado na Zona Oeste do Rio, eu cresci aos olhos dos algozes
Qualquer adolescente que cresce sem rede de apoio mais tarde vai ter umas neurose’
Depois é tão difícil combater e convencer que se ele focar vai conseguir vencer
O prazer da fama de herói sem as arminhas dói
Eu sou o major, vou dá nome aos boi’
Não vou temer se filmar minha cara
Se a Júlia Zanatta comemora eleição com chicote, a mensagem é clara
Direita entrega o país que eu nasci pro Estados Unidos, a mensagem é fora
Se tu acha que o rap não tem que se posicionar contra isso eu te digo para
Bens pra você que perdeu totalmente o sentido e o conceito do hip-hop
De Sabota e RZO, Marechal, Emicida e GOG, não confundo rap com pop
E agora o Flávio Bolsonaro entende o que é ter um pai preso e só largado no xilindró
Por mim que apodreça, te juro, acho isso top
Me diz o propósito de apagar a numeração da sua própria bala
Ela tem endereço, qual foi? Me fala
Eu e mais quanto’ que vai pa’ vala?
Se a chama do rap arder no meu peito, eu juro pa’ tu que ninguém me cala
Nós não negocia democracia, nem se o pagamento vier em dólar
Vim pra acabar com a putaria, Poetas no Topo, Democracia
Engraçado na track, só tem uma mina
Então quanto que vale a voz da minoria?
Sou a continuação de Negra Li, Stephanie, Dina Di
De peça em peça nós faz subir o PIB
‘Cês é preto, Luther ou P. Diddy?
Quem é quem? Festinha do Vorcaro, lembro Epstein
Não é que tem um cidadão de bem?
Pornstar pode estar na política com sextape?
Ele odeia ser chamada de miliciano
Mas tem rabo preso com a milícia a anos
‘Cês falam que ‘tá ruim fazem 20 anos
E esse leite podre que ‘tá milianos?
A Lelê no escuro acha as linhas, odeiam os escuros, se parasitam
Não vai romper sigilo se o STJ já até passou pano pras rachadinhas
Deus e pátria acima, entre quem rouba e pede bênção na Lagoinha
Filho, filho do Messias
Um bom ladrão acha que é cristão, ele se acha Dimas
Aí, segura o beat aí na moral
Promete defender o povo como fez com Delaroli
Mas só defende assassino, não defende o pobre
Ou vai dizer que não?
Então por quê tirar a identificação da cápsula de munição?
Além de não identificar quem estirou o corpo que ‘tá no chão
Fecha com um Valadão, nossos pra vala vão
Depois que manchou o nome da fé usando ela em vão
Acho que até Cristo diria Deus me livre de ser cristão
Então, vá para a prisão pra encontrar sua irmandade e grandes sócios
Pequenas igrejas e master negócios
Quem dera a preocupação fosse só com o petróleo
Mas não é óbvio o que acontecerá com nosso nióbio?
Dou meu voto pra um partido que conserva vidas
A menor das ofensas deveria ser a de conservadias
Te ofende mais que ser chamada de fascista?
Um pensamento antiquado, quem consertaria?
Não é sobre endeusar quem tá lá na política
Mas demonizar quem não respeita o estado laico, nem Nossa Senhora de Aparecida
O argumento pro desrespeito vai ser que ela era feminista
Derramam sangue de pretas raras
De Marielles às Anas Claras, silenciadas, assassinadas
Aplaudem açoite de alguns chicotes de umas Zanattas e falas de Eduardas
Que agradecem as índias serem catequizadas, na colonização
Numa miscigenação que é fruto de estupro de escrava
Malhei meu cérebro até tá no pump
Trabalhadores sigam junto’ com os estudantes
Enquanto vários ‘tão buscando o dump
Enaltecendo quem quer entregar o Brasil pro Trump
Se ‘cê tem 22 motivos pra votar no Flávio
Pra não votar, eu tenho 1964
Pra não votar, eu tenho 1964
Pra não votar, eu tenho 1964










































