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Justiça torna Deolane Bezerra ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa

Juiz aceitou denúncia do Ministério Público de SP que aponta repasses financeiros do PCC para a influenciadora; pedido de prisão domiciliar foi negado.

Deolane Bezerra desabafa um ano prisao
A influenciadora digital Deolane Bezerra - Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE-SP) e tornou réus a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, converteu os investigados em réus pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além de Deolane e Marcola, também foram inseridos no polo passivo da ação os familiares do suposto líder da facção: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Souza.

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Ministério Público denuncia Deolane Bezerra à Justiça — Foto: Reprodução/Redes sociais

A decisão ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, capitaneada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente.

Esquema financeiro e movimentação ilícita

A denúncia foi assinada pelo promotor Lincoln Gakiya — autoridade de referência internacional no combate ao PCC — e por outros seis integrantes do Ministério Público.

De acordo com o documento acusatório, relatórios de inteligência financeira e quebras de sigilo fiscal e bancário apontam que parentes e pessoas da estrita confiança da cúpula da facção recebiam ordens diretas para escoar e distribuir o capital obtido ilegalmente por meio de uma empresa de transportes.

Os investigadores afirmam que os valores ilícitos eram depositados sistematicamente em favor de Deolane Bezerra, de Everton de Souza e de Paloma Sanches Herbas Camacho, com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro e reinseri-lo na economia formal com aparência de licitude.

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Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola – Foto: Reprodução

Pedidos de transferência e prisão domiciliar são rejeitados

A defesa de Deolane Bezerra havia solicitado a transferência da influenciadora para uma Sala de Estado-Maior — prerrogativa prevista no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para a custódia de advogados antes de condenação definitiva — ou a substituição da prisão preventiva por regime domiciliar.

Os advogados citaram uma inspeção da OAB-SP que apontava problemas estruturais, calor excessivo e falhas de higiene no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista (SP), onde ela está detida desde 21 de maio de 2026.

Contudo, o magistrado rejeitou os pedidos com base nos seguintes argumentos do Ministério Público:

  • Gravidade do delito: O benefício da prisão domiciliar é inviabilizado pelo MPE em casos envolvendo organizações criminosas que operam mediante violência estrutural.
  • Condições de custódia: O núcleo de Presidente Prudente do MPE certificou que a ala atual em Tupi Paulista atende aos requisitos adequados de custódia.
  • Maternidade: O fato de a influenciadora possuir uma filha menor de 12 anos não foi considerado isoladamente suficiente para sobrepor-se à gravidade das acusações e aos demais elementos do processo.

Manifestação das defesas

Em nota oficial, o advogado Bruno Ferullo Rita, responsável pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, contestou as imputações:

“A Defesa reitera que Marco Willians e Alejandro encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação.”

A nota acrescenta que Leonardo e Paloma refutam integralmente as acusações, argumentando que o mero vínculo familiar não pode ser confundido com associação criminosa. A banca informou ainda que os dados patrimoniais citados pelo Gaeco serão devidamente contextualizados e justificados ao longo da instrução processual para comprovar a regularidade de todas as transações financeiras.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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