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Kim Logan + The Silhouettes apresentam Saturnalia, um manifesto distópico para tempos em colapso

Novo álbum da banda transatlântica mergulha no grunge digital, darkwave e rock industrial para traduzir o colapso contemporâneo em um manifesto sonoro urgente e visceral.

Kim Logan + The Silhouettes apresentam Saturnalia, um manifesto distópico para tempos em colapso
Divulgação

“O fim do mundo também precisa de uma trilha sonora.” A frase, publicada pela Music Mecca (EUA), talvez seja a melhor síntese do que Kim Logan + The Silhouettes vêm construindo nos últimos anos — e que agora atinge seu ponto mais ambicioso com o lançamento de Saturnalia.

Transatlântica por essência, a banda une o Sul dos Estados Unidos às cidades industriais do Reino Unido, criando um som que mistura rock cru, experimentação avant-garde e comentário social sem concessões. Se os trabalhos anteriores dialogavam com a sujeira analógica do passado, Saturnalia rompe definitivamente com o retrovisor: o terceiro LP do grupo mergulha em uma estética distópica que funde trip-hop sombrio, pulsos industriais, grunge digital e darkwave francesa.

Produzido em parceria com Rex Roulette (que já trabalhou com Bob Vylan, Eagles of Death Metal, KALEO e Dead Sara), o disco traz um time de peso: o baixista Dominic Davis (Jack White, Pharrell), o baterista Chris Prendergast (The Kooks, Alex Clare) e participação vocal de Adeleye Omotayo (Gorillaz, Amy Winehouse). O resultado é um trabalho que soa urgente, inquieto e impossível de rotular.

Uma estética de colapso e reinvenção

Faixas como “Half Life” e “Heart of Crystal” transitam por um goth-pop industrial, enquanto a faixa-título carrega um “rosnado pixelado” que sintetiza o espírito do álbum. Outras músicas como “The Temple (Redux)”, “Game Over”, “Mimi Says Dance” e “The Dragon” evocam a atmosfera estroboscópica de clubes noturnos em Paris e Londres à beira do colapso.

Liricamente, Kim Logan volta seu olhar filosófico e sombrio para uma sociedade em queda livre, transformando suas composições em verdadeiras invocações — não apenas reflexivas, mas protetoras e combativas.

A gênese de Saturnalia está diretamente ligada ao período pandêmico. Segundo a própria artista, o álbum foi escrito entre 2020 e 2023, durante um momento em que seu “retorno de Saturno” coincidiu exatamente com o caos global da Covid-19. Para Logan, o trabalho nasce da urgência de despertar consciências, explorar o misticismo ancestral e confrontar séculos de exploração e violência humana com uma busca pela “Grande Obra” — uma transformação coletiva e espiritual.

Da ópera ao rock apocalíptico

Kim Logan iniciou sua trajetória cantando ópera profissionalmente aos nove anos de idade. Essa formação vocal sólida é perceptível na dramaticidade e no alcance expressivo que marcam sua interpretação — uma assinatura que já rendeu comparações com nomes como Jack White, Mark Lanegan e Chris Cornell.

A crítica tem reconhecido a força do projeto. A SPIN Magazine descreveu a faixa “Evil” como algo que começa à la Julee Cruise e evolui para um stomp blues à altura do Led Zeppelin. Já a No Depression destacou o “intelecto venenoso sobre um riff pesado”. O reconhecimento também se estende a veículos como Rolling Stone Español, Billboard Brasil, American Songwriter e MTV Italia.

Palcos, prêmios e consolidação internacional

Com turnês realizadas em 38 estados americanos e seis países do circuito Eurovision, Kim Logan + The Silhouettes vêm consolidando sua presença internacional. O grupo já passou por festivais como Great Escape Festival, SXSW e Printemps de Bourges, além de casas emblemáticas em Londres, Paris, Los Angeles, Nashville e Nova York.

Em 2024, receberam o Grand Jury Prize como Best Alternative Act no Richmond International Film Festival, reforçando o momento ascendente da banda.

Entre 2020 e 2024, Kim Logan também foi contemplada com bolsas e apoios de instituições como The Grammy Foundation MusiCares, Musicians’ Foundation, Academy of Country Music e The Jazz & Blues Foundation. Fundadora da Swamp Thing Records desde 2013, a artista demonstra não apenas consistência criativa, mas também autonomia estratégica.

A trilha sonora do nosso tempo

Se os primeiros trabalhos flertavam com o passado, Saturnalia representa um salto para frente — ou talvez para dentro de um futuro inevitável. É um álbum que não oferece conforto, mas consciência; não promete salvação fácil, mas convida à transformação.

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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