Após dois dias detidas no Egito, as influenciadoras digitais brasileiras Mariana Alves, conhecida como Malévola, e Bruna Mercatelli desembarcaram na noite desta quinta-feira no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Elas retornaram ao Brasil depois de responderem a acusações de “comportamento obsceno” e relatarem ter sofrido graves violações de direitos humanos e preconceito por parte de autoridades policiais egípcias.
Em vídeo gravado no saguão do aeroporto após a chegada, Malévola e Bruna expressaram o alívio de estar de volta ao país.
“Finalmente chegamos no Brasil. Um sentimento de alívio, né? Ser recebida com tanto carinho pelos brasileiros é incrível. Acho que igual aos brasileiros não tem”, declarou Malévola, que acumula mais de 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais.
Condições degradantes e denúncias de violação
As brasileiras relataram ter enfrentado condições precárias durante o período em que estiveram sob custódia na cidade de Alexandria. Segundo Malévola, elas permaneceram sem acesso a água, alimentação ou aos próprios celulares por cerca de 24 horas, sentadas em cadeiras de ferro, antes de serem transportadas em um camburão.
A influenciadora também fez relatos contundentes sobre constrangimento físico e humilhação por sua identidade de gênero. Ela afirmou que precisou se despir diante das autoridades locais para comprovar que havia realizado a cirurgia de redesignação sexual e que, somente após isso, houve alteração na forma como foram tratadas. Mariana também relatou ter sofrido crises de ansiedade e pânico em decorrência dos episódios de abuso.
Motivo da prisão e pagamento de fiança
A prisão ocorreu na última terça-feira, em Alexandria. Segundo a polícia do Egito, a detenção foi motivada por gravações de vídeos em vias públicas que trariam conteúdos considerados ofensivos e de cunho sexual, além da acusação de assédio a pedestres.
A soltura ocorreu na quarta-feira mediante o pagamento de uma fiança estipulada em aproximadamente 40 mil libras egípcias para cada uma — quantia equivalente a cerca de R$ 4 mil por pessoa (R$ 8 mil no total). A mediação foi realizada por um advogado no Brasil em articulação com a Embaixada brasileira no Egito.










































