A escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos. Reconhecida internacionalmente pela obra autobiográfica “Persépolis”, que retrata sua infância durante a Revolução Islâmica no Irã, a artista deixa um legado marcante nos quadrinhos e no cinema.
A morte foi confirmada por familiares nesta quinta-feira (4). Em comunicado, parentes afirmaram que Satrapi enfrentava um período de profunda tristeza desde a morte do marido, Mattias Ripa, produtor e ator com quem compartilhou grande parte de sua vida pessoal e profissional. Ripa faleceu em abril de 2025.
Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Marjane Satrapi construiu uma carreira marcada pelo olhar crítico sobre a política e a sociedade iraniana. Em 1994, mudou-se para a França, país onde se estabeleceu definitivamente e adquiriu cidadania francesa anos depois.
Sua obra mais conhecida, “Persépolis”, foi publicada inicialmente como graphic novel e conquistou leitores ao redor do mundo ao narrar, em primeira pessoa, os impactos das transformações políticas no Irã. O sucesso dos livros levou à adaptação para o cinema, dirigida pela própria autora. O longa recebeu diversos prêmios internacionais e consolidou Satrapi como uma das vozes mais influentes da cultura contemporânea.
Ao longo da carreira, a artista defendeu a utilização dos quadrinhos como ferramenta de reflexão social e política. Para ela, a linguagem visual permitia abordar temas complexos de forma acessível e humana, aproximando leitores de realidades muitas vezes desconhecidas.
Além de “Persépolis”, Satrapi produziu livros, filmes e projetos artísticos que exploravam identidade, liberdade, imigração e direitos humanos, tornando-se uma referência para gerações de leitores e criadores em todo o mundo.
Sua morte encerra uma trajetória marcada pela coragem de transformar experiências pessoais em obras universais, capazes de dialogar com públicos de diferentes culturas e épocas.








































