A escritora e jornalista E. Jean Carroll, de 82 anos, voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos após se tornar alvo de uma investigação do Departamento de Justiça americano. A apuração busca esclarecer se a autora teria cometido perjúrio ao prestar depoimento nos processos movidos contra o presidente Donald Trump.
Natural de Detroit, no estado de Michigan, Carroll nasceu em 12 de dezembro de 1943 e construiu uma longa carreira no jornalismo e na literatura. Ao longo das décadas, lançou cerca de 15 livros e se consolidou como uma das colunistas mais conhecidas da imprensa americana.
O trabalho mais recente da autora, “Not My Type: One Woman vs. a President”, lançado em 2025, reúne bastidores das disputas judiciais contra Trump e detalhes sobre as estratégias jurídicas que resultaram em vitórias milionárias na Justiça.

E. Jean Carroll ganhou notoriedade nacional ao comandar, entre 1993 e 2019, uma tradicional coluna de conselhos da revista Elle. Além disso, também teve passagem pela televisão e chegou a ser indicada ao Emmy, em 1987, pela roteirização do programa Saturday Night Live.
Na década de 1980, a jornalista ainda atuou como editora colaboradora da revista Playboy, tornando-se uma das primeiras mulheres a ocupar espaço de destaque em um segmento voltado majoritariamente ao público masculino.
Processos contra Trump
Carroll moveu duas ações judiciais contra Donald Trump. Na primeira, acusou o então empresário de abuso sexual em um provador de loja de departamento em 1996. Já a segunda envolveu acusações de difamação após Trump negar publicamente o episódio.
Em 2023, um júri considerou Trump culpado por abuso sexual e difamação, determinando o pagamento de US$ 5 milhões à escritora. Apesar da condenação, a corte não reconheceu formalmente a acusação de estupro.
No ano seguinte, outro julgamento fixou uma indenização de US$ 83,3 milhões por declarações feitas por Trump em 2019, consideradas prejudiciais à reputação da autora.
Agora, o Departamento de Justiça voltou a analisar um depoimento prestado por Carroll em 2022. Na ocasião, ela afirmou não ter recebido ajuda financeira externa para custear o processo. Posteriormente, foi revelado que o empresário bilionário Reid Hoffman, conhecido opositor de Trump, ajudou a bancar despesas jurídicas da ação.
A nova investigação é vista por analistas políticos americanos como parte das disputas envolvendo Trump e adversários históricos. O presidente recorreu à Suprema Corte contra a condenação de US$ 5 milhões e também prometeu contestar judicialmente a indenização de US$ 83,3 milhões.











































