A história de amor entre Lito Sousa e Mila Seidl começou pela internet, teve a aviação como ponto de partida e se transformou, ao longo de mais de uma década, em uma relação marcada por companheirismo, família e parceria profissional.
Lito morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, após enfrentar a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma rara enfermidade neurodegenerativa. Durante os meses de tratamento, Mila permaneceu ao lado do marido e buscou alternativas para tentar retardar a evolução da doença.
Primeiro contato aconteceu pela internet
Os dois se conheceram quando Lito mantinha um blog dedicado à aviação. Interessada pelo assunto, Mila entrou em contato com ele e os dois passaram a conversar pela internet.

Em entrevista à Exame, Mila contou que chegou a passar horas conversando com Lito pelo Skype. Na época, ele respondeu a dúvidas que ela tinha sobre aviação e explicou detalhes que a ajudariam a viajar com mais tranquilidade.
“Ele passou mais de três horas me explicando tudo com paciência. No fim, disse que eu podia viajar tranquila e até brincou que eu traria uma encomenda para ele”, contou.
A conversa, porém, foi além do interesse pela aviação. Mila revelou que se apaixonou por Lito naquele primeiro contato.
“Nessa reunião eu fiquei completamente apaixonada pelo Lito”, afirmou.
A relação que começou no ambiente virtual acabou se transformando em um relacionamento fora da internet. Apesar da distância e da diferença de idade de 17 anos entre os dois, o namoro avançou.
Casamento e nascimento do filho
Em 2015, Lito e Mila já namoravam e moravam juntos. No ano seguinte, os dois oficializaram a união.
Em 2019, nasceu Malone, único filho do casal.
Além da vida pessoal, Mila também se tornou uma importante parceira de Lito na carreira. Ela o incentivou a transformar o conteúdo produzido inicialmente no blog em um projeto no YouTube.
Os dois estudaram a plataforma, compraram uma câmera e começaram a produzir os primeiros vídeos do canal Aviões e Músicas.
Com o crescimento do projeto, Mila deixou o emprego para trabalhar ao lado do marido. Ela passou a atuar principalmente nas áreas estratégica e comercial da empresa criada pelo casal, a Lito Group.
Assim, o relacionamento se transformou também em uma parceria profissional.
Mila foi uma das primeiras a perceber que algo estava errado
Meses antes de Lito receber o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, Mila percebeu um comportamento diferente durante uma viagem aos Estados Unidos.
Enquanto os dois jantavam, ela observou que o braço do marido se levantava involuntariamente enquanto ele cortava a comida. Mila contou ao Domingo Espetacular, da Record, que tentou abaixar o braço e perguntou se Lito havia percebido o movimento.
Segundo ela, ele respondeu que não. O episódio foi um dos sinais que levaram à investigação médica.
Em uma entrevista, Lito também reconheceu a importância da mulher naquele momento.
“Não poderia falar de mim sem falar de quem está comigo desde o início. Para falar a verdade, foi ela quem falou: ‘Você não está bem’.”
Depois de uma série de exames, veio a confirmação da doença.
“Na hora que o médico contou, eu desabei”
Mila relembrou o momento em que recebeu o diagnóstico de Lito e contou como reagiu à notícia.
“Na hora que o médico contou, eu desabei. O Lito ficou firme, escutando, fazendo perguntas.”
A doença de Creutzfeldt-Jakob é rara e provoca uma rápida degeneração neurológica. Com o avanço do quadro, Lito passou a enfrentar perda de movimentos e outras limitações físicas.
Segundo Mila, no entanto, a lucidez e a capacidade de comunicação do marido permaneceram preservadas durante parte significativa da evolução da doença.
“Decidi lutar por ele”
Diante do diagnóstico, Mila passou a buscar alternativas para tentar conter a progressão da doença.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, em agosto, ela resumiu a postura que adotou durante o tratamento:
“Tenho duas opções: velar o meu marido ou lutar por ele. Decidi lutar.”
A partir daquele momento, ela procurou possibilidades de participação de Lito em pesquisas internacionais e tratamentos experimentais.
Em entrevista ao Fantástico, Mila contou que buscou ajuda do governo e de instituições de pesquisa para tentar conseguir acesso a uma medicação experimental. A família também manteve contato com pesquisadores envolvidos em estudos sobre a doença nos Estados Unidos.
A intenção era tentar uma alternativa diante de uma enfermidade para a qual não havia um tratamento curativo estabelecido.
“A gente não tem nada, certo? A gente tem uma sentença. Então a gente tá disposto a assumir esse risco e tentar ter um desfecho diferente”, afirmou ao programa.
Família enfrentou mudanças na rotina
Com a rápida evolução da doença, a rotina do casal mudou completamente. Mila passou a acompanhar de perto os cuidados com Lito e relatou que pequenos momentos juntos ganharam um significado ainda maior.
Em entrevista à CNN Brasil, ela afirmou que a experiência mudou a maneira como enxergava a vida.
“A vida muda completamente de sentido”, disse.
Em outro depoimento ao Fantástico, Mila resumiu a forma como os dois encontravam forças para enfrentar aquele período:
“A gente consegue ser feliz ali no hospital.”
Segundo Mila, Lito também conversou com o filho sobre a gravidade da doença. O pai explicou à criança que poderia chegar um momento em que não estaria mais presente.
Despedida de Mila
Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, após meses enfrentando a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Depois da morte, Mila publicou um vídeo com registros da trajetória dos dois e se despediu do marido com uma declaração emocionada.
“Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre.”
Em outro trecho da homenagem, Mila relembrou a história construída ao lado de Lito e destacou o filho, Malone, como um dos grandes legados da relação.








































