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MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Influenciador fitness é acusado de participar de esquema de desvio de produtos químicos; defesa contesta as acusações e acredita em absolvição.

Renato Cariani
Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. A acusação aponta a participação do influenciador em um suposto esquema de desvio de produtos químicos utilizados na produção de cocaína e crack.

Além de Cariani, a promotoria também pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Atualmente, os três respondem ao processo em liberdade.

De acordo com a estimativa apresentada pelo advogado criminalista Anderson Almeida, caso a Justiça acolha integralmente a acusação, as penas podem variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão para cada réu, além do pagamento de multas. O cálculo considera a condenação por associação para o tráfico, 59 crimes relacionados ao tráfico de insumos químicos e 59 crimes de lavagem de dinheiro.

A pena efetiva, no entanto, dependerá da análise judicial das acusações, das provas e de eventuais circunstâncias que possam aumentar ou reduzir a punição.

Entenda as acusações contra Renato Cariani

Renato Cariani, que reúne milhões de seguidores nas redes sociais com conteúdos sobre musculação, nutrição e fisiculturismo, foi um dos alvos da Operação Hinsberg, conduzida pela Polícia Federal para investigar um esquema de desvio de produtos químicos destinados à fabricação de drogas.

As investigações envolvem a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa sediada em Diadema, na Grande São Paulo, da qual o influenciador era sócio.

Segundo o Ministério Público, a empresa teria simulado vendas de insumos químicos para companhias que não haviam solicitado os produtos. A suspeita é de que essas operações fossem utilizadas para justificar o desvio das substâncias para o narcotráfico.

Na denúncia, os promotores afirmam que as irregularidades teriam ocorrido em 59 ocasiões. Cariani é acusado de participar da simulação de pedidos e de autorizar procedimentos relacionados à separação e à retirada de produtos químicos.

Um dos episódios citados pela acusação envolve insumos faturados em nome da farmacêutica AstraZeneca. Segundo os promotores, houve retirada de produtos fora do expediente, acompanhada de documentos que apresentariam informações falsas.

A investigação também aponta possíveis tentativas de dificultar a fiscalização das atividades da empresa.

Mensagens de celular são citadas na investigação

Outro elemento mencionado pelo Ministério Público são as mensagens encontradas no celular de Cariani durante as apurações.

De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), as conversas indicariam uma relação próxima entre o empresário e um policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos.

A acusação sustenta que Cariani recebia informações sobre diligências policiais, comentava situações relacionadas à fiscalização e sugeria empresas que poderiam ser alvo de inspeções.

Para os investigadores, essas conversas podem indicar uma tentativa de proteger o suposto esquema e prejudicar concorrentes comerciais.

O Ministério Público também cita uma conversa na qual Cariani teria comentado sobre a utilização de determinada substância química para aumentar o rendimento da cocaína. Na avaliação dos promotores, o conteúdo das mensagens reforçaria a suspeita de que ele conhecia a possível destinação dos insumos.

As conclusões apresentadas fazem parte da tese da acusação e ainda devem ser avaliadas pela Justiça.

Defesa de Cariani contesta acusações

A defesa de Renato Cariani afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público e declarou que a manifestação não representa uma surpresa, uma vez que a promotoria mantém a mesma linha de acusação ao longo do processo.

Segundo o advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa do influenciador, a próxima etapa consiste em responder aos argumentos apresentados pelo órgão acusador e demonstrar, com base nas provas produzidas durante a instrução processual, que as acusações não procedem.

A defesa declarou ainda confiar em um julgamento imparcial e manifestou convicção de que Cariani será absolvido.

O influenciador nega ter cometido crimes. O pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público não representa uma decisão definitiva, e cabe ao Poder Judiciário analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade dos acusados.

Ministério Público pede absolvição de outras investigadas

Apesar de solicitar a condenação de Cariani, Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, o Gaeco pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia do influenciador na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, também mencionadas durante as investigações.

A manifestação indica que o Ministério Público considera não haver elementos suficientes para pedir a condenação dessas duas investigadas, embora seus nomes tenham aparecido no decorrer da apuração.

Como o caso começou

As investigações tiveram início após a farmacêutica AstraZeneca comunicar às autoridades que não reconhecia determinadas movimentações de produtos químicos registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol.

A partir das informações recebidas, os investigadores passaram a apurar a possível utilização de documentos e negociações fictícias para justificar a circulação dos insumos.

Fábio Spínola Mota é apontado pela investigação como um dos responsáveis por movimentações financeiras relacionadas à empresa e pela intermediação da comercialização dos produtos químicos. Segundo a acusação, ele também teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca para viabilizar negociações.

Os investigadores suspeitam que as substâncias eram posteriormente destinadas a pessoas envolvidas na produção de cocaína e crack.

O processo segue para a análise das manifestações finais das partes antes do julgamento. Até que haja uma decisão judicial, as acusações contra Renato Cariani e os demais réus permanecem pendentes de julgamento.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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